"NÃO PROCURAMOS CONFLITO"
VENÂNCIO MANDA CARTA A CHAPO COM FORTE
DESABAFO E DEIXA UM AVISO " DA MINHA PARTE FIZ TUDO DESDE O PRIMEIRO ENCONTRO"
Venâncio Mondlane enviou uma carta ao Presidente da República Daniel Chapo, com fortes desabafo em torno da situação que marca o país e seu partido. Na carta Venâncio Mondlane faz uma retrospectiva desde 1994 até a atualidade.
Para Mondlane, o país atravessa “o período mais sombrio da sua história em matéria de direitos humanos”. Segundo o político, a carta não representa um ataque ao Chefe de Estado, mas “um acto de responsabilidade” e “um apelo à consciência do Estado, à legalidade e à paz”.
Mondlane afirma ainda que escreve como “representante de milhões de moçambicanos que aspiram por um país mais livre, justo e democrático”.
Um dos primeiros acontecimentos mencionados é a marcha em homenagem ao músico Azagaia, realizada no dia 18 de Março de 2023.
Segundo Mondlane, jovens saíram às ruas em várias capitais provinciais após notificarem as autoridades, mas a manifestação “foi reprimida de forma violenta e desproporcional pela Unidade de Intervenção Rápida (UIR)”. O político também menciona as manifestações pós-eleitorais ligadas às eleições autárquicas de Outubro de 2023.
Na carta, afirma que durante os protestos “foram utilizados gás lacrimogéneo, munições reais e outros meios coercivos”, resultando “em dezenas de feridos entre manifestantes desarmados”.
Outro episódio recordado por Venâncio Mondlane é o assassinato do advogado Elvino Dias, ocorrido na noite de 18 para 19 de Outubro de 2024.
Mondlane afirma que a crise pós-eleitoral entre Outubro de 2024 e Março de 2025 provocou uma onda de violência no país. Segundo ele, “uma nova crise pós-eleitoral desencadeou cinco meses de protestos” e “a acção da UIR resultou na morte de cerca de 400 cidadãos inocentes e desarmados”.
Venâncio afirma ainda que, no dia 9 de Janeiro de 2025, durante o seu regresso ao país após o exílio, “a UIR, força sob o seu Comando, matou dois jovens inocentes e desarmados”.
O político falou tambem do dia 15 de Janeiro de 2025, data da tomada de posse de Daniel Chapo, “a UIR, força sob o seu Comando, matou três jovens que simplesmente regressavam a casa”.
Para além deste pinto, Venâncio lembrou de um dos trechos de uma declaração atribuída ao Presidente da República durante uma visita à cidade de Pemba, onde Daniel Chapo declarou no dia 24 de Fevereiro de 2025 que iria “jorrar sangue” para acabar com manifestações.
Para Mondlane, aquela declaração “não foi uma simples declaração política circunstancial”, mas “uma sentença e uma instrução clara para que parte das Forças de Defesa e Segurança actuassem sem piedade”.
Para além destes pontos acima vários outros foram mencionados, um dos destacados, é o relato dos encontros realizados entre Venâncio Mondlane e Daniel Chapo para discutir a pacificação do país.
Aliás, aquele foi o primeiro encontro realizado a 23 de Março de 2025, ambas as partes Segundo Mondlane concordaram na:
Cessação da violência; assistência médica aos feridos; indemnização às famílias das vítimas;
libertação dos detidos nas manifestações.
O político na carta afirma que chegou a pedir publicamente a suspensão das manifestações e actos de retaliação.
No entanto, acusa Daniel Chapo de ter posteriormente negado a existência de qualquer acordo.
Na carta, Venâncio cita uma entrevista concedida à CNN Portugal onde o Presidente teria afirmado:
“Não há acordo com Venâncio Mondlane. E onde não há acordo, não há nada para cumprir.”
Para Mondlane, aquela declaração foi entendida como “a mensagem de que o Estado desenterrava o machado de guerra contra o povo”.
Para além deste ponto, Mondlane menciona também cenários de perseguições a membros do seu partido. Entre Março de 2025 e Maio de 2026 foram registados “mais de 450 casos de violência contra os membros do ANAMOLA”, incluindo “56 mortes”.
Entre os casos mencionados está o assassinato de Anselmo Abílio Vicente, coordenador político do partido na cidade de Chimoio, ocorrido no dia 9 de Maio de 2026. Mondlane denuncia ainda raptos, prisões arbitrárias, agressões físicas, invasões de casas sem mandado judicial e perseguições políticas.
“Da minha parte, fiz tudo desde o primeiro encontro em 23 de Março de 2025. Cumpri a minha palavra, mesmo com custo reputacional perante o povo" lê-se no final da carta que encontra-se nas suas redes sociais.
Tendo terminado com um aviso ao Governo:
“Não procuramos conflito. Mas se o povo for coagido e ficar sem recurso legal, a história ensina que os povos privados de canais legítimos de participação e justiça tendem a procurar outras formas de resistência.” (....) “Continuamos abertos ao diálogo genuíno e à paz, mas não aceitaremos a perseguição contínua do nosso povo e o desmantelamento da democracia em Moçambique " lê-se.
Minutos apos a publicação desta carta, Venâncio Mondlane fez uma outra publicação alertado corte de Internet nos próximos dias. Sem mencionar fonte, Venâncio afirmou que uma equipe recebeu autorização para corte de Internet em Moçambique, e alerta o público para começarem a baixar o VPN.

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